No Estados Unidos, por volta de 1865, uma mulher posa para mostrar seu cabelo longo.
No Estados Unidos, por volta de 1865, uma mulher posa para mostrar seu cabelo longo.

Na Era Vitoriana, o cabelo de uma mulher ocidental era considerado uma parte importante de sua aparência: era um marco de seu status e sua feminilidade.

Um importante rito de passagem para uma adolescente durante esse tempo era o momento em que em que ela começava a usar o cabelo para cima: anteriormente, ele teria que ser usado solto ou em tranças e amarrado com uma fita.

O cabelo de uma mulher era usado em espiral e enrolado em uma variedade de penteados elaborados, às vezes enfeitados com jóias ou penas. Esses mudavam por conta das modas inconstantes, mas os cabelos não eram cortados a não ser que fosse absolutamente necessário.

Como em muitas sociedades, a doutrina religiosa era um fator no policiamento dos cabelos das mulheres vitorianas, exigindo que ele fosse coberto ou escondido, especialmente se a mulher fosse casada. Deixar um pedaço do cabelo à vista era visto como algo indecente, até mesmo pecaminoso. Para um observador vitoriano, as fotografias de mulheres com seus cabelos longos e soltos era particularmente excitante.

Em 1885, a Srta. Frampton arruma seus cabelos com a ajuda de um espelho.
Em 1885, a Srta. Frampton arruma seus cabelos com a ajuda de um espelho.

Entre as classes médias e alta sociedade vitoriana, o cabelo de uma senhora se tornou o ponto focal de interesse sexual; a principal expressão de sua sexualidade. Para as classes mais pobres, manter os cabelos longos no meio de tanta doença e falta de cuidados higiênicos era altamente impraticável. Por isso, muitas mulheres recorriam a vender seus cabelos por dinheiro – uma vez que elas provavelmente usavam os cabelos curtos ou cobertos, isso raramente faria diferença.

Os cabelos de uma mulher tinham um enorme significado, com rigorosos códigos de conduta a respeito de como uma mulher deveria usar seu cabelo ou cobrí-lo em determinadas situações. O rosto e o cabelo eram as únicas partes do corpo de uma mulher que estavam sempre visíveis, em um momento em que os corpos das mulheres eram na sua maior parte cobertas. Escritores e artistas da época se focavam nos cabelos, com descrições elaboradas em novelas.

Acreditava-se que a personalidade de uma mulher poderia ser inferida a partir de seu cabelo. Mulheres de cabelo encaracolados eram consideradas mais doces e bem-humoradas do que mulheres de cabelos lisos. O cabelo longo, grosso e solto era associado com a sexualidade: quanto maior e mais grosso, maior a natureza apaixonada de uma mulher.

Talvez tenha sido por isso que as mulheres começaram a ser fotografadas de lado ou de costas, com seus longos cabelos fluindo livremente para baixo de suas costas. Demonstravam, também, que elas não precisavam se utilizar de almofadas artificiais ou cabelos postiços para conseguir seus penteados.

Fotografia de 1882 das irmãs Sutherland: Sarah, Victoria, Isabelle, Grace, Naomi, Mary e Dora.

A obsessão com o cabelo das mulheres tornou-se quase um fetiche, famosamente ilustrado pelo caso das Sete Irmãs Sutherland. Nascidas em uma fazenda de criação de perus em Cambria, em Nova Iorque, as irmãs eram encorajadas por seu pai a cantar e tocar diversos instrumentos musicais. Mas eram os seu cabelos que eram o enfoque: para capitalizar seus atrativos, o pai das moças criou uma gama de produtos de cabelos. Ele eventualmente se juntou ao circo Barnum e Bailey e saiu em turnê, aparecendo na Primeira Feira Mundial em 1881. Acredita-se que fãs invejosos tentaram roubas as mechas de cabelos das moças como lembranças.

Os cabelos longos caíram em desuso com as mulheres adotando estilos de vida mais práticos, especialmente durante a I Guerra Mundial, quando foram empregadas em fábricas e outras formas de trabalho. As mulheres passaram a usar penteados mais curtos e livres, roupas mais soltas e que não exigiam corpetes rígidos e difíceis de serem colocados.

 Traduzido e adaptado do artigo “Very long Victorian hair” escrito por Alex Q. Arbuckle.
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