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Se você acha que aquelas fotos de gatinhos usando roupas em poses fofas se originou com a internet, pense de novo. Fotografias de gatos existem desde os primórdios da fotografia: uma vez que os seres humanos tiveram as câmeras em suas mãos, a dignidade dos felinos foi condenada para sempre.

A Era Vitoriana mudou a visão dos gatos: A Rainha Vitória teve uma infância muito isolada, e os animais e bonecas eram os únicos companheiros que teve. Talvez fosse por isso que mais tarde ela se preocuparia com o tratamento dos animais domésticos e se tornaria uma ávida amante dos direito dos animais. Ela falou publicamente contra a prática da vivissecação (fazer experiência com animais vivos), chamando a prática de “uma vergonha para um país civilizado”. Entre seus bichinhos de estimação, a Rainha possuía dois  gato persas azuis.

Seguindo a rainha, o povo britânico passou a amar gatos, dá-los de presente e tentar diferente raças. Algumas pessoas começaram a vestir seus gatos por conta de sua “nudez imodesta”. E foi aí que entrou a fotografia.

Provavelmente o progenitor dessas fotos desavergonhadas de gatos foi o inglês Harry Pointer (1822 – 1889), que tirou aproximadamente 200 fotos de gatos. Pointer começou sua carreira com fotos naturais de gatos, mas ele percebeu na década de 1870 que persuadir os felinos a ficarem em poses ridículas dava mais dinheiro.

pointerPointer colocava seus gatos em poses incomuns que imitavam as atividades humanas – montando tricilos, andando de patins, ou até mesmo tirando uma fotografia com uma câmera. Adicionando uma legenda, a imagem poderia ficar mais divertida ou atraente, aumentando o potencial comercial dos gatos em suas imagens com cumprimentos como “Um feliz ano novo”.

Pointer pode ter demonstrando o potencial de gatos e câmeras, mas seu sucessor americano, Harry Whittier Frees (1879 – 1953) levou as coisas para outro nível. Já depois da morte da Rainha Vitória, o fotógrafo começou a tirar foto de animais de 1906, mas ficou tão famoso que expandiu seu portfólio para incluir outros animais.

Em 2006, foi cunhado o termo “LOLcats” para descrever a combinação de uma foto cômica de um felino com um texto divertido. Frees vendia suas fotos como cartões postais. Como se pode imaginar, seria muito mais fácil naquela época usar animais mortos ou empalhados, mas Frees usava animais vivos. Na suas fotos de gatos, tirados na sua maioria entre 1910 – 1920, uma fotografia poderia demorar de 1 a 5 segundos para ser tirada. Embora pareça que os animais estão infelizes na maior parte do tempo, de acordo com o próprio fotógrafo,

“Essas fotos incomuns de animais reais só são possíveis com muita paciência e bondade infalível por parte do fotógrafo em todo o tempo. A característica que define essas fotos diferente de todas as outras é a sua natureza, que representam uma quantidade quase inconcebível de paciência, amável atenção e um sem-número de fotos estragadas. A velocidade é essencial na garantia de tais imagens, mas muitas vezes é impossível ser rápido o suficiente. Os animais jovens não podem fazer pose melhor do que bebês humanos, e a situação é complicada quando eles têm de ficar em situações que não são naturais para eles em idade tão precoce”.

Veja mais algumas fotos tiradas por Pointer e Frees:

Gatos (2) Gatos (3) Gatos (1)
gato (8) gatos 2 gato (1)
gato (5) gato (2) gato (6)

Traduzido e adaptado dos artigos:
Even in the 1870s, humans were obsessed with ridiculous photos of cats”, de Curiaque Lamar
The LOLcats of yesteryear: Incredible pictures show how animal meme craze actually began long before the Internet“, de Damien Gayle,
Cats In History: The Victorian Era“.

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