Princesa Mary Adelaide Wilhelmina Elizabeth de Cambridge
Princesa Mary Adelaide Wilhelmina Elizabeth de Cambridge.

Graças à abundância de mitos e da mídia, nós associados o período vitoriano com mulheres magras e cinturas minúsculas. Embora as mulheres vitorianos fossem, em média, mais magras do que as mulheres são hoje, mulheres gordinhas (ou a moda gg) não eram uma novidade no século 19.

Sabemos que os seres humanos vêem em uma variedade de formas e tamanhos, e mesmo que em uma única família, mulheres de diferentes características físicas podem nascer. Tudo é influenciado por conta da alimentação, genética e condições médicas, como a tireóide, por exemplo. Esses tipos de fatores não surgiram no século 21, e embora não fossem reconhecidos no século 18, esses fatores sempre criaram seres humanos diferentes uns dos outros na sociedade.

Uma vez que as roupas não eram plenamente feitas ‘em larga escala’ até o século 20, as costureiras e designers podiam misturar e combinar elementos da moda para melhor atender às proporções do corpo de cada indivíduo. A circunferência do busto, a cintura e as coxas eram importantes apenas para que o vestido combinesse o mais proporcionalmente possível.

A Rainha Vitória não foi um modelo de magreza para a época.
A Rainha Vitória não foi um modelo de magreza para a época.

Os vitorianos gostavam de mulheres curvilíneas, embora isso não signifique que eles gostassem de mulheres gordinhas: a mulher ideal vitoriana tinha um rosto e braços arredondados, com coxas grandes e seios largos, mas também pés pequenos e uma cintura pequena. Em uma série de romances e filmes modernos as mulheres vitorianas são retratadas como esguias e altas, mas esse é apenas o padrão de beleza hoje.

A própria rainha Vitória era um exemplo de mulher grande no século XIX. Embora fosse magra quando jovem, a rainha, que sempre foi baixinha, foi ficando cada vez maior em sua velhice.

As mulheres grandes do período vitoriano usavam os mesmos estilos de roupas do que todas as outras mulheres, com pequenos ajustes para suas proporções. Por conta do uso do espartilho, mesmo mulheres gordinhas apareciam com cinturas. Na verdade, uma mulher maior, com um corpo maior, poderia alcançar uma cintura menor se comparada com uma mulher magra.

Veja três vestidos de luto que pertenceram à Rainha Vitória:

 1861    1894

Em alguns lugares no século 19, a gordura ainda era vista como sinal de que você era saudável e fértil, mas durante o período vitoriano as pessoas de classe média aspiravam por melhores padrões de vida, e o corpo era importante. A magreza provava que você era disciplinado, civilizado. Os primeiros livros de dieta foram publicados na Inglaterra em meados do século 19, no entanto, a dieta desse período eram dirigida aos homens brancos, como que dizendo que nas culturas menos civilizadas e mais primitivas as mulheres gordas eram consideradas bonitas. Dessa homens eram ensinados a não gostar de mulheres gordas.

No final desse século e início do século 20 as Mulheres Gordas começaram a aparecer em cartões postais. O fato da Mulher Gorda, ou Fat Lady, ser uma atração conhecida em circos de horrores, mostra, por exemplo, que pessoas pagavam para ver mulheres com obesidade mórbida, apresento-a como anormal. No século XIX, a presença no palco de uma mulher excessivamente gorda era vista como uma violação distinta dos costumes vitorianos, de quando esperava-se que as mulheres ficassem em casa. Apesar de existirem no século XIX, a atração de mulheres gordas atingiria seu ápice nos Estados Unidos na década de 1950, principalmente com Ellla Milbauer, que pesava 286kg e foi extremamente famosa.

Princesa Maria Adelaide, 1880
Princesa Maria Adelaide, 1880

Uma outra mulher grande reconhecida do século XIX é a Princesa de Cambrige, conhecida como Fat Mary, ou Maria Gorda. Sua associação com as boas causas, trouxe a aliança da Coroa com as classes médias, elevando o prestígio real e reafirmando a importância da monarquia. Quando jovem a princesa pesava por volta de 113kg, e seu peso não diminuiu durante sua vida. Ela morreria de insuficiência cardíaca em 27 de Outubro de 1897.

As gordinhas também apareciam na literatura. No livro Little Woman, publicado por Louia May Alcott entre 1868 e 1869, a personagem Margaret é considerada bonita por causa de suas curvas: “Margaret, a mais velha dos quatro, tinha dezesseis anos e muito bonita, sendo gorda clara, com olhos grandes, muito cabelo de um castanho suave”.

Veja mais fotos de mulheres gordinhas no século 19:

Madame Naomi, uma Mulher Gorda, pesando 254kg.
Madame Naomi, uma Mulher Gorda, pesando 254kg.

Fotografia de 1890.
Fotografia de 1890.

Fotografia de 1890.

Fotografia de 1885 - 1890.
Fotografia de 1885 – 1890.

Casal em 1890.
Casal em 1890.

Fotografia de 1890.
Fotografia de 1890.

A Madame Sherwood, uma Mulher Gorda, tinha 306kg.
A Madame Sherwood, uma Mulher Gorda, tinha 306kg.

Lottie Grant. Morreu aos 45 anos com 294kg.
Lottie Grant. Morreu aos 45 anos com 294kg.

Hannah Primrose, Condessa de Rosebery, a mulher mais rica da Bretanha, no século 19.
Hannah Primrose, Condessa de Rosebery, a mulher mais rica da Bretanha, no século 19.
Bibliografia:
Va-Va-Voom Victorians: Historical Costuming in the XL“,
Let´s start with the facts“,
Fat-Shaming And Body-Shaming, A History: Author Talks Thigh Gaps, ‘Dad Bods’ And Why We Hate Fat“, por Barbara Herman,
The last Princess of Cambridge: the 19th century People’s Princess known as ‘Fat Mary’“,
Celebrating Women With Curves: A Historical Perspective“, por Ali Lucas.
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