cintura

Atualmente não existe uma concordância sobre quem tem a menor cintura do mundo: a alemã Michelle Kobke e a britânica Nerina Orton, com 40 centímetros de diâmetro, são muito faladas, embora a americana Cathie Jung tenha ganhado diversos prêmios por sua cintura de 38 centímetros, e Ethel Granger, falecida em 1982, era conhecida por ter a menor cintura do mundo, de 33 centímetros. É nesse último rank que entra a argelina Émilie Marie Bouchaud (14 de maio de 1874 – 14 de outubro de 1939), conhecida pelo nome artístico Pauline Polaire: com espartilho, sua cintura tinha 33 centímetros.

Nascida na Argélia, Émilie tinha dez irmãos, dos quais apenas quatro sobreviveram a infância. Seu pai morreu de febre tifoide quando tinha cinco anos, e incapaz de sustentar seus filhos sozinhos, sua mãe deixou-a com seus irmãos com a sua avó, morrendo pouco tempo depois. Em 1889, a família se mudou para Paris, e Émilie conseguiu um emprego como criada. Após a morte de sua irmã, Lucile, Émilie foi enviada de volta para sua avó na Argélia, mas como seu irmão permanecia em Paris, ela fugiu para se juntar a ele em 1890. Émilie não queria ficar com sua mãe e seu novo padrasto, que ela acusou de tentar molestá-la. Ela conseguiu um emprego cantando em um café aos 17 anos, onde ficaria conhecida.

emilieSeu sucesso não foi apenas devido ao seu talento e originalidade que mostrava no palco, mas também por conta de sua aparência física e personalidade estranha. Ela se mostrou hábil em usar sua aparência para atrair a atenção. No café, usava saias muito curtas, e enrolava seu cabelo – que só seria moda em 1920. Morena, usava maquiagem extremamente pesada ao redor dos olhos, deliberadamente evocando o mundo árabe. Ela ficou famosa por sua cintura minúscula, que acentuava seu busto grande, que acreditava-se ter 96 centímetros. Ela tinha 1,60 de altura, e sua aparência impressionante contribuiu para sua fama.

A carreira de Émilie na indústria do entretenimento se estende de 1890 a 1930. Adotando o nome artístico de Pauline Polaire (“Estrela Polar”), ela apareceu em uma revista em 1895, foi para Nova York, onde cantou em diversos locais mais sem alcançar sucesso.

Polaire, por Félix Nadar (1820-1910).
Polaire, por Félix Nadar (1820-1910).

Voltando a Paris, Émilie passou a atuar em teatro, e se tornando uma celebridade, voltou para os Estados Unidos, e para sua ‘estréia’ em Nova York em 1910, ela provocativamente permitiu aparecer na propaganda como “a mulher mais feia do mundo”, e andava acompanhada de um homem negro, que ela chamava de seu “escravo”. Foi nessa época que ela colocou um colar de diamantes no seu porco de estimação, e começou a usar um piercing no nariz. No final de sua carreira,  Polaire teria atuado em 37 filmes.

Como a grande maioria dos famosos vitorianos, Polaire teve problemas econômicos, tendo sofrido uma série de processo das autoridades fiscais francesas. Inclusive, em 1928, enquanto estava em um concerto, as autoridades invadiram uma de suas mansões e venderam tudo o que tinha de valor em uma praça pública. A imprensa tomou o partido de Polaire, protestando contra os métodos utilizados. Mas nada adiantou. Polaire morreria aos 65 anos, em 1939, sem filhos e sem ter se casado.

Veja mais fotos dessa celebridade do século XIX:

Polaire (4)  Polaire (6) Polaire (5)
Polaire (8) Polaire (2) Polaire (1)
Polaire (7) Polaire (3) Polaire usando um vestido curto e sem mangas entre 1895 - 1898.
1900 1900 (2) 1900 (3)
Bibliografia:
Polaire“,
Une Etoile de la Belle Epoque“.
Anúncios