Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

Decorando uma árvore de Natal vitoriana

natal

Muitos costumes natalinos foram transplantados de país para país no século XIX. A meia de Natal veio da Bélgica ou da França, enquanto a saudçaão “Feliz Natal e Feliz Ano Novo” veio da Inglaterra. Nativos da Jamaica trouxeram máscaras de Natal, enquanto o Papai Noel vei oda Holanda. A tradição mais excepcional e ricamente decorada, a árvore de Natal, veio da Alemanha. Embora o Príncipe Albert, marido da Rainha Vitória, geralmente é creditado por ter introduzido a árvore de Natal na Inglaterra em 1840, a honra de estabelecer esta tradição no Reino Unido pertence à Rainha Charlotte, esposa do alemão George III, que colocou uma árvore de Natal em Windsor em Dezembro de 1800.

As árvores de Natal, trazidas de montanhas e encostas, eram de todos os tamanhos, e variavam de centavos a dólares. A maioria das famílias compravam e levavam para sua casa uma árvore bem antes da véspera do Natal. As árvores muito grandes eram difíceis de manter em uma posição firme, por isso, foi criado um tripé de madeira. Outras alternativas eram colocá-la em um pote ou bacia preenchido com pedras ou carvão, coberto com musgos.

vitoriana

Árvore de Natal de 1876.

As árvores de Natal menores geralmente eram fixadas em uma placa plana, atapetada por musgo e grama. Um livro de 1876 fornece uma gravura e instruções de como decorar a árvore. Em cima da grama ou musgo, tinha lugar para colocar maçãs, nozes douradas, laranjas e sacos de musselina contendo doces. Apenas os presentes não pudessem ser convienientemente suspensos nos galhos da árvore eram colocados em sua base. A idéia é que os presentes ficassem presos na árvore, para que no dia do Naral houvesse uma brincadeira: os presentes eram pescados – isso mesmo! – com varas de pescar. Ainda no pé de árvore, era criado um pequeno jardim ou fazenda. Eram usado conchas e animais de brinquedos para fazer uma paisagem, assim como espelhos ou papéis azuis para montar um rio ou lago. Uma casinha coberta de musgo com bonecas ou ovos de galinha era considerada uma grande conquista.

Nas noites antes do Natal, a mulher da casa e as crianças eram incentivados a criar os enfeites do Natal. O mais fácil de se fazer eram correntes de papel que poderiam ser colocados no topo da árvore. Uma variedade de frutas também era colocada em cima dos ramos: bananas, limões, uvas, maçãs, laranjas e nozes também eram usadas, frutas secas, cerejas translúcidas, groselhas e folhas verdes, assim como pipoca. Rosas também eram colocadas. Era costume decorar a árvore com velas acesas (o perigo que vemos hoje com lâmpadas elétricas não é nada comparado com isso), doces e bolos nos galhos , que eram amarrados com fita e papel.

Foto de uma árvore de Natal de 1889.

Foto de uma árvore de Natal de 1889.

A partir da década de 1870 a 1890, muitas árvores de Natal eram decoradas com bonecos de cera em formato de anjos e crianças, assim como fadinhas, e corações e estrelas feitos de papel. Cascas de nozes douradas suspensas com fitas eram muito populares. Elas eram cobertas com papel dourado ou ouro líquido, e as duas conchas eram coladas uma na noutra. Pinhas também eram pintadas com tinta dourada ou prateada. Uma revista recomendava que uma árvore digna seria decorada apenas com velas, com exceção de alguns presentes embrulhados entre os ramos. Quanto mais velas houvessem, mais bonito o efeito, principalmente se todas as velas fossem vermelhas. Se fossem utilizadas velas brancas, a árvore seria polvilhada com neve artificial. As decorações de Natal eram guardadas para o próximo ano, de geração em geração, e a cada ano ornamentos novos e especiais eram adicionados.

Nos Estados Unidos do século 19, as árvores de Natal eram vistas como uma esquisitice. O primeiro registro de uma foi em 1830, em uma exposição feita pelos colonos alemães na Pensilvânia, mas até o final de 1840 as árvores de Natal ainda eram vistas como símbolos pagãos e não aceitos pela maioria dos americanos. Foi apenas em 1846, com a árvore de Natal da Rainha Vitória, que a moda chegou nos Estados Unidos. Na década de 1890, enfeites de Natal ganharam muita popularidade, e notou-se que enquanto os europeus usavam árvores de 1,5 metro, os americanos gostavam que suas árvores chegassem até o teto.

Árvore de Natal de 1857.

Árvore de Natal de 1857.

Com a árvore de Natal ganhando destaque, ela também assumiu seu lugar no mercado. Durante a década de 1850, árvores cortadas já eram vendidas nos centros das cidades, e em 1900 estimava-se que um em cada cinco americanos tinham uma árvore de Natal. Já em 1868, a revista Harper Bazaar descreveu pela primeira vez uma árvore de natal artificial, feita de tubos de metal, troncos e com ramos imitando os pinheiros de Natal “com tanta precisão que, quando colocado ao lado de árvores de verdade, é difícil distinguir a árvore de metal da natural“. Essa árvore de natal artificial era decorada com estanho polido e papel colorido para refletir a luz, e então, foram colocados enfeites de natal em forma de animais em miniatura, como tigres, lagostas, elefantes e etc, suspensos por cordas elásticas. No entanto, acredita-se que a primeira árvore artificial feita no Natal foi na Alemanha, em 1845, feita de fios de metal com os ‘galhos’ cobetos com penas de ganso, peru, avestrus e cisnes, muitas vezes pintadas de verde para se assemelharem aos pinheiros. No entanto, algumas eram feitas de penas brancas propositalmente para se assemelharem com os pinheiros brancos.

Em 1870, os enfeites viraram um grande negócio: lojas vendiam enfeites de vidro e bolas em cores brilhantes. Um anúncio publicitário declarava,

“Tantos ornamentos charmosos e pequenos agora podem ser comprados prontos para decorar as árvores de Natal que parece quase um desperdício de tempo fazê-los em casa”.

Atualmente, muitas pessoas acham os enfeites de Natal do século XIX encantadores, e fazem réplicas e adaptações desses enfeites. Vejam alguns abaixo:

Nozes pintadas com tinta dourada

Nozes pintadas com tinta dourada

Velas (extramamente perigoso, não recomendo)

Velas (extramamente perigoso, não recomendo)

Bolas feitas de papel

Bolas feitas de papel

Doces

Doces

Flores de papel

Flores de papel

Estrelas de papel pintadas com tinta prateada e glitter

Estrelas de papel pintadas com tinta prateada e glitter

Anjos de papel

Anjos de papel

Cones feitos de papel recheados com doces.

Cones feitos de papel recheados com doces.

Bolas de natal de tecido, inspiradas no período vitoriano.

Bolas de natal de tecido, inspiradas no período vitoriano.

Correntes feitas de papel.

Correntes feitas de papel.

A figura do Papai Noel já existia, como mostra esse enfeite alemão do século XIX.

A figura do Papai Noel já existia, como mostra esse enfeite alemão do século XIX.

Anjo em uma bola de natal.

Anjo em uma bola de natal.

Os vitorianos também transforaram a idéia do Natal para que ele se centrasse na família. A preparação dos alimentos, os presentes e a decoração de Natal eram essenciais para a celebração do Natal, e embora Charles Dickens não tenha inventado o Natal vitoriano, o seu livro Um conto de Natal ajudou a popularizar e difundir as tradições do Natal. Seus temas como família, caridade, paz e felicidade encapsularam o espírito de Natal vitoriano, e são uma parte muito importante do Natal que celebramos hoje.

Bibliografia:
History of Christmas“.
RESTAD, Penne. “Christmas in 19th Century America“.
History of Christmas Trees“.
First Victorian Christmas Tree“.
Decorating a Victorian Christmas Tree“.
How to Decorate Old-Fashioned Christmas Trees“.

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Publicado às 6 de dezembro de 2015 por em A vida no período, Tutoriais e marcado , , , , , , , , .

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