Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

Resumo e ‘crítica’ do filme A Colina Escarlate (2015)

filme

Atenção. Esse artigo contém dezenas de spoilers (revelações) sobre esse filme. Essa resenha, assim como todas as outras feitas por mim, não pretende resenhar criticamente a história ou o enredo, e sim suas relações historicamente precisas (ou não) com a Era Vitoriana.

Não é muito frequente que filmes do século XIX passem no cinema, ainda menos filmes de terror e suspenses dirigidos pelo renomado Guillermo Del Toro. Mas além de fantasmas assustadores, o filme também tem uma história de amor estrelada por Mia Wasikoska, Tom Hiddleston, Charlie Hunnam e Jessica Chastain, seguindo a jornada da bela americana Edith (Mia) para uma assombrada mansão inglesa onde segredos são varridos para debaixo do tapete coberto de sangue. E embora cada cena seja impressionante, os trajes primorosamente feitos não podem ser superados.

A gêniosa Kate Hawley, figurinista, projetou os vestidos do final do século XIX, costurados à mão e que retratam as escuras e misteriosas personalidades de cada um dos personagens. Cada peça, disse Hawley, tem espartilhos e camadas, que ajudam a captar o movimento das mulheres vitorianas.

fotografias 2

O corte das roupas são do final do século XIX e início do século XX – a figurinista chegou a afirmar em uma entrevista que são de 1901 (o último ano da Era Vitoriana), o que exigiu uma pesquisa complexa e ajustes. No entanto, as duas mulheres principais do filme, Mia e Jessica, comportaram-se de formas diferentes quanto a seus trajes: depois de usá-lo por uma hora, Chastain já reclamava que seus braços ficavam dormentes, enquanto Mia, que já havia feito filmes em que era necessário usar corpetes rígidos, estava bem mais acostumada. Os sapatos também roubam o show: Jessica teve que usar sapatos plataformas para ficar na altura desejada (mais próxima de Tom Hiddleston). No entanto, os poucos vislumbres que temos dos sapatos do século XIX (principalmente os de Edith) são lindíssimos.

As diferenças entre ambas foram mostradas no figurino. Lucille (Jessica) é uma criatura caseira, que apresenta imediatamente um forte contraste com o mundo de Edith, de Búfalo, nos Estados Unidos. A casa dos Sharpe é autera, invernal, um mundo estéril e faminto. O mundo de Edith é o oposto: opulento, moderno, próspero, e Edith personifica isso com suas roupas em tons ricos, dourados – e diversos vestidos, enquando Lucille pode ser vista com apenas três. Edith é o Sol e Lucille é a Lua. Edith é a borboleta, e Lucille é a mariposa.

lucille e edith

Uma das cenas que me chamou muitíssima a atenção é quando Edith vê as fotos antigas de Thomas com suas ex-esposas. Embora Tom Hiddleston seja muito chamativo aos olhos, as montagens ficaram inacreditáveis, a ponto de eu procurar informações de apenas photoshoparam ele em fotos realmente do século XIX ou foram fotos realmente novas criadas para o filme (ainda não achei a resposta, mas acredito que seja a última opção). A cena em que Edith vê a fotografia do bebê e podemos ter um reflexo da qualidade da impressão é simplesmente fascinante.

fotografias edith

O filme, como diversos críticos comentaram, não é nada assustador se comparados a outros filmes de terror – disseram que os fantasmas não eram nada medonhos, e que a atuação de Mia foi uma das piores de sua carreira, e que sua personagem – antes uma escritora forte e determinada, se torna em uma vítima submissa. Não concordo. Acredito que todos os atores acertaram em seus tons, inclusive Mia – é muito fácil colocar-se no seu lugar, imaginar-se como uma escritora próspera, junto do conforto de sua casa e seu pai, e logo depois ser confrontada com sua morte violenta, uma casa rangendo e fantasmas ao seu encalço. Tendo uma mente fraca para filmes de terror, também achei os fantasmas assustadores mas, realmente, não são de dar pesadelos (o que considero algo bom).

Recomendo muito o filme, seja pelo lindíssimo Tom Hiddleston ou as duas atrizes, Mia e Jessica, além das montagens dos EUA do século XIX, além da ambientação do baile e da mansão. PS: Outra cena que ficou na memória é quando Edith visita a oficina de Thomas, vendo diversos brinquedos que ele fez para Lucille – acredito eu que para isso teria sido necessário pelo menos alguns anos de formação técnica, mas tudo bem – os brinquedos mostrados são típicos de filmes de terror, e muito bem feitos.

Crimson.Peak.2015.

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5 comentários em “Resumo e ‘crítica’ do filme A Colina Escarlate (2015)

  1. Filipe Tell
    15 de dezembro de 2015

    Meu filme de terror preferido de 2015 💕

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  2. Adriana Favaretto
    15 de dezembro de 2015

    Eu assisti. . .e não gostei :/

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  3. Renata Morgado
    15 de dezembro de 2015

    tb não gostei… mas vale a pena só pra ver o Tom… 😉

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  4. Lynn Vesch Willmont
    16 de dezembro de 2015

    Horror Gótico ❤ A estética desse filme ainda…maravilhosa ❤ ❤ ❤ Del toro é mesmo um grande cineasta

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  5. Nathália Mayumi
    16 de dezembro de 2015

    Amei esse filme ❤ e o Tom Hiddleston é mto amor <4

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