Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

O controle da natalidade no século XIX

Mulher vitoriana lutando contra uma cegonha. Na legenda, é possível ler: "O vilão ainda a persegue".

Mulher vitoriana lutando contra uma cegonha. Na legenda, é possível ler: “O vilão ainda a persegue”.

A história do movimento do controle de natalidade está ligado ao final do século 19 com os ativistas Annie Besant (1 de Outubro de 1847 – 20 de Setembro de 1933) e Charles Bradlaugh (26 de Setembro de 1833 – 30 de Janeiro de 1891). Em 1877, eles publicaram e distribuíram um velho panfleto de controle de natalidade que tinha como objetivo os mais pobres, escrito pelo médico americano Charles Knowlton. O panfleto já estava à venda na Inglaterra há 40 anos: ele explicava a fisiologia do sexo em linguagem simples, expondo o uso de alguns métodos primitivos de contracepção. Bradlaugh e Besant foram presos, julgados e condenados por publicarem um “Libelo obsceno”, mas, assim como acontece hoje, o julgamento de ambos fez do panfleto um best-seller do dia para a noite, e sua circulação aumentou de 700 por ano para 125 mil. Ambos ganharam a absolvição com um recurso.

Annie Besant por volta de 1885.

Annie Besant por volta de 1885.

Depois do processo judicial, Besant continuou a defender publicamente o controle da natalidade, sendo a primeira mulher na Grã-Bretanha a fazer tal ação reconhecidamente. Ela publicou seu próprio panfleto sobre o controle de natalidade e excursionou por todo o país dando palestras. A idéia de uma mulher defender o controle da natalidade recebeu ampla publicidade antes de 1890 seu panfleto havia vendido 175 mil cópias. Ao contrário de alguns socialistas radicais e escritores no século XIX, Besant era contra o conceito de “amor livre” que era propagado como uma solução para o casamento patriarcal e a vitimização das mulheres.

No período vitoriano, promover o controle da natalidade era ilegal, mas apesar disso, haviam diversos dispositivos de controle de natalidade, entre eles o preservativo, que não seria amplamente utilizado e comercializado até 1900.

Uma gravura de 1754 mostra sedutores italianos assoprando preservativos.

Uma gravura de 1754 mostra sedutores italianos assoprando preservativos.

Não tendo a mulher como público-alvo, o preservativo foi inventado e era usado principalmente para proteger os homens da sifílis, transmitida principalmente por prostitutas. O preservativo estavasendo usados pelas classes superiores da Inglaterra e França no início do século 19, mas já no século 18 já era possível comprá-los nas ruas de Londres. No início do século 19, já eram anunciados em jornais especializados nos Estados Unidos e enviados por correio. Os preservativos eram feitos principalmente de membranas de animais, e devido ao custo (de 1 dólar), eram sempre lavados e reutilizados. Em meados do século, já eram feitos de borracha vulcanizada, e os preços caíram significativamente, embora nem sempre fossem eficazes, pois eram costurados e muito grossos. Em 1873, com a ajuda de Anthony Comstock (7 de Março de 1844 – 21 de Setembro de 1915), a propaganda sobre o controle de natalidade foi proibida nos Estados Unidos, e se tornou ilegal enviar “obscenidades” pelo correio.

Haste intra-uterino (que mais tarde viraria o DIU) que era utilizado como contraceptivo por volta de 1880.

Haste intra-uterino (que mais tarde viraria o DIU) que era utilizado como contraceptivo por volta de 1880.

Algumas mulheres usavam água pura numa tentativa de evitar a concepção, enquanto outras usam os espermiciadas prontamente disponíveis, como vinagre e bicabornato de sódio. Antes de Comstock, panfletos de diferentes autores estavam disponíveis, e era possível comprar soluções pré-fabricadas que afirmavam serem melhores, como o ácido carbólico e salicílico. Outro método muito usado era o douching, ou a lavagem vaginal, que era geralmente feita com uma mistura de água e vinagre, muito usada hoje (estima-se que de 20% a 40% das mulheres americanas entre 15 e 44 anos usam).  É óbvio que esses métodos de controle de natalidade não eram altamente eficazes para os padrões atuais.  O IUC, que seria o antepassado do DIU, também era utilizado no final do século 19 – a extremidade achatada da haste era colocada contra a parede vaginal, com a outra haste saliente colocada no útero através do colo uterino. O IUC funcionava após o sexo, impedindo que o embrião fertilizado recém-implantado crescesse.

Outra prevenção consistia na utilização da seringa com uma solução de sulfato de zinco ou sultafo de alumínio após a relação; e a utilização de esponjas, que eram mergulhadas na água e inseridos na vagina por volta de doze horas. Outra possiblidade era um chumaço de algodão, preso em uma fina corda para que pudesse ser removido. Ele seria usado do dia e removido à noite. A ganhadora de todos os métodos, utilizados por séculos, era, obviamente, o coito interrompido.

Bibliografia:
400 BCE-1965. Vintage contraceptives“, por Chris Wild.
Birth control in the Victorian Era“, por Denise Eagan
Vaginal Douching: Helpful or Harmful?“,
Is Your Victorian Gentleman Sponge-Worthy? Contraception in the Years 1826 – 1891“,
Annie Besant’s Multifaceted Personality. A Biographical Sketch“,
Victorian Birth Control“.
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2 comentários em “O controle da natalidade no século XIX

  1. Franciane Cordeiro
    24 de fevereiro de 2016

    Vou para o inferno se rir da cegonha?

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  2. Salomão De Barros Lima
    25 de fevereiro de 2016

    Essa haste intra -uterina é from hell.

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Publicado às 24 de fevereiro de 2016 por em Beleza e Higiene e marcado , , , , .

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