Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

As mulheres e os homens pintavam os cabelos na Era Vitoriana?

Na propaganda: Pintura de cabelo circassiana. Mude de vermelho claro ou cabelo cinzapara um lindo marrom ou preto.

Na propaganda: Pintura de cabelo circassiana. Mude de vermelho claro ou cabelo cinza para um lindo marrom ou preto.

No século XIX, o cabelo se tornou a expressão externa dos pensamentos como nunca antes. Ter longos e luxuosos cabelos eram o desejo feminino da época, embora os penteados que eram feitos com ele variassem muito de acordo com a década. No entanto, páginas de revista vitorianas sugerem que as maiores preocupações das mulheres vitorianas não eram os penteados, e sim a perda de cabelo e a sua coloração.

Foi pensando nisso que Eliza Rossana Gilbert, Condessa de Landsfeld e mais conhecida por seu nome artístico Lola Montez, nascida na Irlanda em 1820 e tendo morrido em 1861, era uma famosa bailarina da corte de Luís I da Bavária, e que publicou em 1858 um livro chamado “The arts of beauty; or secrets of a lady’s toilet, with hints to gentlemen, on the art of fascinating”: As artes da beleza; ou os segredos de banheiro de uma dama, com sugestões para cavalheiros na arte da fascinação. Nesse livro, Eliza explicava como preparar um composto que deixaria o cabelo mais escuro – isso porque os únicos corantes que poderiam colorir o cabelo na época eram para cabelos marrons ou pretos, usando geralmente a henna.

Penteados da década de 1870.

Penteados da década de 1870.

Pastas e loções estavam comercialmente disponíveis para uso doméstico, mas elas eram em sua maioria ineficazes ou continham produtos quimicamente perigosos, como chumbo. No entanto, arqueólogos já haviam encontrado evidências que até mesmo os neandertais usavam produtos para mudar a cor de seu cabelo e pele; os saxões tingiam seus cabelos com cores virantes; os homens da Babilônia usavam pó de ouro em suas barbas. No entanto, essas técnicas não eram usadas no século XIX. Curiosamente, no início do século 19 um homem chamado Eugene Schuller descobriu uma forma de descolorir o cabelo, embora a prática só fosse ficar conhecida e utilizada a partir da década de 1930.

Em 1856, as primeiras tinturas sintéticas foram produzidas. Isso levou a uma nova leva de tintas para cabelos que eram baratas e duravam mais do que a henna, e alguns tons a mais marrom. O nitrato de prata era usado para deixar o cabelo mais escuro, e um uso excessivo dele criava tons de roxo. No entanto, as mulheres que utilizavam de tinta de cabelo quase sempre eram aquelas que queriam esconder seus fios cinzas;

Outra questão envolvida com a prática de pintar os cabelos era a própria Rainha Vitória. Seria de se pensar que uma garota de 18 anos que ascendeu ao trono adoraria a indústria da beleza e seus cosméticos. Mas não. A jovem monarca inglesa gostava de dançar e ir em festas, mas nada de maquiagem. Vitória estava determinada a fazer com que a monarquia inglesa fosse novamente respeitada, e ela não achava os cosméticos nada respeitaveis: para ela, pintar o rosto era coisa de prostitutas e atrizes, e pintar o cabelo não era muito diferente disso. Com um estigma ligado a cosméticos, as maiores dicasde belezas vitorianas envolviam apenas conselhos sobre lavagens de cabelo, ter uma dieta saudável e fazer exercícios.

TInta Buckingham. Entre 1870-1900.

TInta Buckingham. Entre 1870-1900.

Ainda hoje, é um pouco de tabu falar sobre homens pintando os cabelos. No entanto, eles não tinham mais opções do que as mulheres, apesar de tinta para colorir as barbas fossem extremamente populares, principalmente da marca Buckingham. Como podemos ver na imagem, um de seus logos era: “Buckingham é o favorito dos homens, porque nunca falha em colorir uniformemente de preto ou marrom”.

No entanto, pouco mais de uma década após da morte da Rainha Vitória, entre 1913 e 1914, os líderes mais ousados da moda norte-americana adotaram uma tendência criada por cabeleireiros parisienses que chocou a Europa: a moda de tingir perucas com tons de azul, rosa e cinza. Elas era, é claro, muito cara, feitas com cabelo de verdade vindos da China, e os formadores de opinião acreditavam que era necessário que a peruca combinasse com a cor do vestido. Embora adorada pelos americanos, os membros mais conservadores de Londres e de Paris chegavam a barrar convidados que aparecessem com cabelos coloridos em suas festas, e os cabelos coloridos eduardianos viveram pouco mais de um ano.

Bibliografia:
FLEMING, R. S. Victorian Feminine Ideal: about the perfect silhouette, hygiene, grooming, & body sculpting. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
BRAMAN, Noreen. The History of Hair Dye Colors. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
HOLLAND, Evangeline. The Morals of Pink and Blue Hair, or The Craze for Colored Wigs. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
Beauty in the victorian age. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
Victorian Era Fan Guide. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
Hair – A Woman’s Crowning Glory. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
The Hair at the Nineteenth Century. Acesso em 18 de Fevereiro de 2016.
Anúncios

2 comentários em “As mulheres e os homens pintavam os cabelos na Era Vitoriana?

  1. Lara Scandian
    18 de abril de 2016

    Amei a matéria!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 17 de abril de 2016 por em Beleza e Higiene e marcado , , , , .

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 107 outros seguidores

Translate this

Siga-nos no Youtube

%d blogueiros gostam disto: