mamadeira

Não é de hoje que muitas mães, desinformadas ou não, querendo apenas ajudar o seu bebê com os mais novos produtos oferecidos pelo mercado ou procurando simplesmente por soluções rápidas para o dia-a-dia com o bebê, acaba por machucá-lo ou pior, matá-lo. Esse foi o caso com diversas mães vitorianas, ao comprarem as chamadas “Feeding Bottles” ou garrafas de amamentar – as futuras mamadeiras.

Numa época em que se precisava cuidar de um bebê usando espartilho, ou mesmo alimentá-lo usando um, era considerado um verdadeiro desafio manter a sua casa e aparência pessoal em perfeito estado. Assim, um dispositivo que permitia a criança a praticamente alimentar-se sozinha parecia uma dádiva divina. Feitas de vidro ou cerâmica, e colocadas com um tubo de borracha ou bocal (as predecessoras das atuais mamadeiras), provaram ser incubadoras perfeitas para bactérias mortais.

Exemplo de mamadeira do século 19.
Exemplo de mamadeira do século 19.

A mulher vitoriana estava tendo acesso, a todos os momentos, a novas invenções. Em um esforço para tornar as tarefas domésticas mais fáceis e ajudar na criação das crianças, muitas mulheres corriam para os conselhos da Senhora Beeton em seu livro popular “Gestão de Domícilio de Beeton”, publicado em 1861. Era um livro sobre como administrar uma casa vitoriana, oferecendo conselhos sobre culinária, contratação e demissão de pessoal doméstico e criação de filhos. A sra. Beeton aconselhava que não era necessário que o bico da garrafa fosse lavado durante duas ou três semanas, permitindo que as bactérias florescessem e se tornassem mortais.

Seria apenas 25 anos depois que um livro recomendaria o contrário:  escrito por Genevieve Tucker em 1896, dizia:

Não esqueça que um bom lugar para micróbios morarem e cultivarem são os bicos de borracha. Esse adjunto da garrafa de amamentar deve ser colocada com água fervida escaldante toda vez que for usada. Apenas enfiar o bico em água quente não é suficiente.

Embora os próprios médicos vitorianos condessem o uso da ‘mamadeira’, os pais continuaram a comprá-las e usá-las, contribuindo para a assustadora estatística do século 19 que apenas duas em cada dez crianças sobreviviam ao seu segundo aniversário.

Veja foto de algumas crianças vitorianos usando dessa mamadeira mortal:

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Tal objeto era chamado de nomes carinhosos, como “queridinho da mamãe”, e embora a sociedade médica condenava abertamente o uso delas, as garrafas de alimentar continuavam a vender bem em 1920: pela primeira vez, os bebês podiam ser deixados sozinhos para se alimentar, liberando a mãe trabalhadora para fazer outras tarefas. A mudança do layout da mamadeira ocorreu em 1894, que alegava-se ser mais fácil de se limpar, sem aquele tubo de borracha.

Mamadeiras de 1894.
Mamadeiras de 1894.

Nota-se que a extremidade direita da garrafa é aberta: a mãe colocaria o leite ali, e tamparia com uma tampa de metal. Provavelmente vazava, mas alegava-se ser muito mais higiênico que os frascos anteriores, e logo esse se tornou um líder de vendas.

Bibliografia:
Murder Bottles
Deadly Victorian Baby Bottles“, por Liza O’Connor.
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