Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

“Todo pássaro é usado”: um dos ornamentos mais populares e debatidos da moda vitoriana

Um bonnet de seda de 1880, que utiliza as penas e a cabeça de um pássaro.

Um bonnet de seda de 1880, que utiliza as penas e a cabeça de um pássaro.

Um dos acessórios mais debatidos que eram utilizados na moda feminina vitoriana era a utilização de aves como ornamento. Durante todas as últimas décadas do século 19, a decoração de penas para chapéus e leques estava em seu auge; e o chapéu feminino poderia ser decorada com asas, penas e aves inteiras. De acordo com o bazar Harper, em 1875, o melro brasileiro (nome científico “Gnorimopsar chopi”, também chamado de graúna ou assum preto no Brasil) era um dos favoritos, pois não era negro, mas tinha tons azulado e bronze em suas asas e costa.

Com a expansão colonial e a exploração de terras distantes sugiam cada vez mais espécimes exóticos para o mercado europeu: estes incluíam as anteriormente desconhecidas variedades de aves, aumentando ainda mais a demanda da moda para a utilização dessas aves e suas penas.

“Todo pássaro é usado, e é montado em fios e molas que permitam que sua cabeça e asas seja movido da maneira mais natural”.

Bazar Harper, 1875.

A atriz Christie McDonald exibe um bando de pássaros em seus chapéu, no início de 1900.

A atriz Christie McDonald exibe um bando de pássaros em seu chapéu, no início de 1900.

Todo o pássaro era usado, e era montado com fios e molas que permitiam que sua cabeça e asas fossem movidos. A andorinha cinza também era usada como ornamento, cabeças de pombos, faisões e pavões também eram vistos em chapéus de senhoras. Também era comum a utilização de plumagens em profundos tons de verde. Arranjos de plumas de avestrus eram projetadas para fora dos chapéus em forma ascendente como uma coroa.

Hoje entendemos que, mesmo se um animal parece ser abundante na natureza, nossos esforços para matá-lo seja para o alimento ou moda pode impactar uma espécie inteira. Mas no século 19 e no início do século 20 a grande maioria das pessoas não acreditava que isso pudesse acontecer. A extinção no século 17 do pássaro dodô serviu como uma história preventiva, mas os pombos e outras espécies pareciam abundantes, inesgotáveis. “Esse é um recurso explorável que podemos tomar”, disse Wayne Peterson, diretor da Important Bird Areas de Massachussets. Haviam exceções, obviamente: Harriet Hemenway, uma proeminente socialite de Boston, ficou chocada com as descrições de caça de aves, e Frank Champan, um famoso escritor, escreveu que os pássaros eram “impiedosamente derrubados de seus ninhos, as penas cobiçadas eram despojadas de suas costas, as carcaças eram deixadas para apodrecer, enquanto os filhotes no ninho acima morrem de fome”.

chapeuNo entanto, não havia dúvidas que a negociação de plumas se tornou um negócio muito lucrativo. Para satisfazer a enorme demanda mundial de penas, fazendas de avestruz tornaram-se indústrias do dia para a noite. Em 1902, leilões de Londres venderam 1.608 pacotes de plumas de garça pesando cerca de 30 onças cada. Quatro garças eram necessárias para fazer apenas uma onça, portanto, nas vendas desse único leião haviam 192.960 mil garças mortas.

O período mais destrutivo para a população de aves do mundo foi entre 1860 e 1921. Chapéus da década de 1860 eram frequentemente aparados com penas de avestrus ou asas de pássaros, e na década de 1870 a moda cresceu de forma mais elaborada, com um uso acentuado das penas e peles. O mais bizarro, alguns diriam, aconteceu no final de 1880, quando chapéus começaram a acomodar aves inteiras, empoleiradas na vertical ou colocadas de asas extendidas. Em alguns casos, eram criados verdadeiros habitat artificiais, com uma grande variedade de naimais, répteis, folhas, galhos e gramas.

A arte da taxidermia havia progredido desde meados da década do século 19, atingindo seu auge comercial na década de 1880 e 1890. A busca por pássaros era complementada não só pela caça e tiro, mas era até mesmo recomendada em publicações contemporâneas como um passatempo feminino para mulheres.

Em 1889, foi criada a RSPB – Royal Society for the Protectial of Brids, como uma campanha contra o uso de aves e penas. Ironicamente, em seus primeiros dias a sociedade consistia principalmente em mulheres da alta sociedade. Mas seria apenas em 1908 que um ato para a proibição de importação de plumagens foi introduzida pela primeira vez no Parlamento, e o projeto só seria aprovado em 1921 e só entraria em vigor no próximo ano. Até então, o mundo já tinha mudado, e as penas e pássaros já não estavam em voga.

Tradução e adaptação dos artigos:
Members Shall Discourage the Wanton Destruction of Birds, and Interest Themselves Generally in their Protection” Or: In the Name of Fashion: Feathers, Carnage and Protest in Victorian England“, de Jayne Shrimpton;
The Women Who Removed Birds From People’s Hats“, de Laura Poppick;
Wings – Breasts – Birds“.

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6 comentários em ““Todo pássaro é usado”: um dos ornamentos mais populares e debatidos da moda vitoriana

  1. Miriam Machado de Sousa
    6 de junho de 2016

    Sempre matavam os animais para agradar as mulheres luxentas fúteis !! Até hoje elas usam casacos de peles . Essas mulheres de hoje que usam o casaco de pele não evoluíram espiritualmente !!! 😠😠😠Por isso muitas espécies de animais não existem mais e ficaram extintos para sempre .

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  2. Fernanda Pardo
    10 de junho de 2016

    Achei bizarro….

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  3. Pedro Gomes
    5 de julho de 2016

    Só podia ser branco

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  4. Sheila
    29 de outubro de 2016

    Quase 2h da manhã e não consigo parar de ler os posts do seu blog! Muito,muito bons! Mas, me permite uma correção? Onde você traduz como Bazar Harper é na verdade a revista Harper’s Bazaar que existe ainda hoje. Sucesso!!

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  5. Torie
    25 de fevereiro de 2017

    If time is money you’ve made me a weltehiar woman.

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