Montagem de capas de revistas vitorianas mostram a evolução da curvatura grega ao longo das décadas.
Montagem de capas de revistas vitorianas mostram a evolução da curvatura grega ao longo das décadas.

A curvatura grega era uma posição magistral que fez sua primeira aparição na Inglaterra na década de 1820, embora tenha chegado ao auge de sua popularidade em algum lugar entre 1869 e 1880. Nesse momento, era moda que as mulheres (principalmente americanas) usassem suas saias presas na parte de trás como cestos. O estilo exigia que a mulher inclinasse para frente de forma exagerada a fim de compensar todo o peso em suas costas. O nome “curvatura grega” ou “grencian bend” foi nomeado supostamente por conta de algumas estatuetas de mulheres gregas que encolhiam seus ombros em modéstia implícita na sua nudez.

A curvatura grega ainda poderia ter origem no Japão ou de mulheres sul-africanas.
A curvatura grega ainda poderia ter origem no Japão ou de mulheres sul-africanas.

Ainda existem duas outras origens um pouco mais controversas e menos estudadas: que o estilo teria tido origem no Japão, durante o período Meiji (1868 – 1912), como mostra essa fotografia duas mulheres em trajes típicos com a legenda “A original curvatura grega”; ou que sua origem seria Sarah “Saartjie” Baartman, uma das duas mulheres negras do povo khoisan que foram exibidas como aberrações em eventos na Europa no século XIX por conta de suas dimensões corporais inusitadas segundo a perspectiva européia.

É possível que a moda também tivesse origem em pessoas famosas que tinham aflições físicas que muitas vezes não podiam ser corrigidas, e as pessoas as copiavam e adaptavam suas condições como uma declaração de moda. Além disso, a curvatura grega parecia erótica, uma vez que a parte traseira da mulher se projetava para fora e seus seios para frente, tornando uma mulher mais atraente. assim, surgiu a crença de que qualquer mulher que adotasse a curvatura grega era corajosa e ousada. Obviamente, essas mulheres ficavam com extremas dores nas costas se tivessem que se manter de pé por horas, mas mesmo assim, milhares de mulheres abraçaram a curvatura grega.

grecEmbora a origem japonesa não tenha sido mencionada na época, a possível origem sul-africana foi retratada ironicamente em um panfleto de 1868. Nessa sátira anti-fashion, o corpo de uma mulher branca é estranhamente distorcido pelo uso de corpete e armações, e é espelhado no corpo negro grotesco de uma mulher que dá um tapinha em suas nádegas naturalmente grandes. A implicação é que o corpo firmemente atado e armado é uma visão grotesca de artificialidade, que se assemelha de certa forma ao corpo selvagem.

Claramente, a curvatura se tornou objeto de análise social, e homens escreviam para os principais jornais falando sobre sua perplexidade com esta nova vaidade feminina. Escrevendo para o New York Times em 1868 sob seu pseudônimo Howard Glyndon, a poeta Laura Redden Searing acreditava que as tendências deveriam ser levadas mais a sério pelos críticos, já que as mulheres jovens eram torturadas pelas roupas da moda:

Se você soubesse a coragem espartana que é necessária ter para passar por uma provação desse tipo por duas ou três horas, você não se surpreenderia que ela não tivesse nada na cabeça depois que sua exposição diária estivesse acabada.

RW-1827-full-Grecian BendOs defensores da moda diziam que a melhor maneira de se portar era tentando ficar com uma curvatura em S, empurrando o peito para fora, contraindo o estômago e elevando os quadris. Para ajudar, um cinto era preso pela cintura, sob as saias, sendo puxada para ambos os lados dos quadris, decorados com fivelas e ligados as coxas. Com as fivelas apertadas, os quadris eram mantidos “em posição”. Ao invés de se preocuparem com o dano espinal permanente que poderia ocorrer, as mulheres alegavam que estavam mais preocupadas em como se sentar. As restrições impostas pelos espartilhos e armações não lhes permitiam dobrar corretamente a cintura ou os quadris. Isso era particularmente dificil ao se andar de carruagem.

Bibliografia:

The Grecian Bend“, por Geri Walton.
Suffering for Victorian Fashion: The Grecian Bend“, por Cristen Conger.
Miley Cyrus’ Grotesque Bodies” por Kate Wilson.
Saartjie Baartman“.
The “Grecian Bend”: The Most Preposterous Ladies’ Fashion Trend of the 1860s“, por Rebecca Onion.

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