Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

30 de setembro de 1847: Nasce a Sociedade Vegetariana

Ironizando o momento, esta imagem mostra pessoas que foram alimentadas com vegetais e acabaram se transformando em um.

Ironizando o momento, esta imagem mostra pessoas que foram alimentadas com vegetais e acabaram se transformando em um. 1852.

No dia 27 de Janeiro de 1847, James Simpson, um rico industrial, escreveu sobre os benefícios de uma dieta livre de carne. Em seu texto, Simpson dizia que o povo acreditava, através da cultura popular, que a carne continha mais nutrientes do que os vegetais poderiam dar. No entanto, tal suposição era incorreta de acordo com as pesquisas atuais.

O plano de fundo para sua escrita foi o início do século 19, cuja Revolução Industrial havia desencadeado uma série de problemas sociais, e a “dieta vegetal” era visto por alguns como uma solução. A idéia de comer carne estava enraizada na sociedade, e numa época em que a reforma social ganhava força, a questão de saber se a abstenção da carne poderia trazer ordem à sociedade atraiu a atenção.

A saúde era uma das grandes obsessões dos vitorianos. Haviam surtos frequentes e devastadores de doenças durante o reinado da Rainha Vitória. Se não era gripe era tifo, se não era tifo era cólera, isso sem contar a febre tifóide ou escarlatina. Existiam principalmente duas correntes em apoio ao vegetarianismo: a primeira era medicinal, argumentando que a dieta que excluía carne era melhor para a saúde e mais provável em ajudar na prevenção de certos tipos de doenças, e tendo propriedades curativas; e essencialmente o argumento de que era imoral matar e comer animais.

reverendoA primeira organização a abandonar o consumo de carne à longo prazo foi a Igreja Cristã da Bíblia (The Bible Christian Church), liderada pelo reverendo William Cowherd em Salford, perto de Manchester. Em 1809, Cowherd colocou o princípio de abstinência do consumo de carne à sua congregação. Seu espírito reformador, que incentivava a temperança e auto-aperfeiçoamento através da educação lhe ganhou o favor da população local. O reverendo dava ênfase de que o vegetarianismo era bom para a saúde e que comer carne dava origem à violência. Ele morreu em 1816, mas os membros de usa Igreja futuramente se tornariam os líderes da Sociedade Vegetariana (Vegetarian Society). Esses incluíam Joseph Brotherton, que o sucedeu na liderença da Igreja, e James Simpson. Em 1832, a esposa de Brotherton publicaria o primeiro livro de culinária da “dieta vegetal”.

A iniciativa de criar a Sociedade Vegetariana veio de um grupo diferente, com base em torno da Alcott House Academy, perto de Surrey. Em abril de 1842, uma revista dessa escola publicou o que é conhecido como o primeiro uso impresso conhecido da palavra “vegetariano”, e nos próximos cinco anos, todas as utilizações da palavra estariam estreitamente ligados à Alcott House. No entanto, em 1839, de acordo com o Dicionário de inglês Oxford a palavra já tinha sido usada em um jornal chamado “Residence on Georgian Plantation”:

“Se eu tivesse que cozinhar, inevitavelmente me tornaria vegetariano.”

Embora a saúde fizesse parte do racioncínio, o vegetarianismo era baseado no ascetismo, de viver simples e moralmente responsável quanto possível.

O vegetarianismo era largamente ironizado em imagens.

O vegetarianismo era largamente ironizado em imagens.

Em 8 de Julho de 1847, o gerente de negócios da Alcott House, William Oldham, reuniu aqueles que pudessem estar interessados em formar uma sociedade. Os cristão da Bíblia Salford foram representados por James Simpson. A segunda reunião aconteceu em 30 de Setembro de 1847, e Sociedade Vegetariana nasceu. 150 membros foram matriculados. No ano seguinte, a organização contava com 265 membros entre 14 e 76 anos. Foi criada a revista Vegetarian Messenger, com 5 mil cópias distribuídas por mês.

Ao longo da década de 1850, reuniões e grupos vegetarianos locais foram formados nas principais cidades e vilas, incluindo Londres, Edimburgo, Glasgow, Birmingham e Liverpool. O movimento se espalhou para várias partes do país, e em 1877 foi formada a The London Food Reform Society (LFRS), que se fundiria em 1885 com a Sociedade Vegetariana. Em 1888, elas se separaram e foi formada a Sociedade Vegetariana de Londres (The London Vegetarian Society), que tinha sua própria revista, “The Vegetarian”. No final do século 19, a Grã-Bretanha podia se gabar de duas organizações vegetarianas influentes.

Anna Kingsford

Anna Kingsford

Anna Kingsford (16 de Setembro 1846 – 22 Fevereiro de 1888), na década de 1880, refletia um ideal semelhante. Uma das primeiras mulheres inglesas a obter um diploma de Medicina, Anne lutava contra a sociedade machista da época e era contra vivissecação de animais, além de lutar a favor do vegetarianismo. Em 1872, ela se tornou a prprietária The Lady’s Own Paper, e depois de passar em seus exames em medicina na França, publicou sua tese sobre o vegetarianismo. Em 1882, ela acusou

“os defensores modernos comedores de carne e vivissecação da prática mais baixa na escala da natureza e humilhar o padrão moral da humanidade…”

Bibliografia:
Victorian Vegetarians,
History of the Vegetarian Society,
27 January 1847: The roots of The Vegetarian Society,
ANDREW, Jacob; LAC, Adry. Salada de Dietas. Jacob Andrew & Adry Lac, 2014.
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3 comentários em “30 de setembro de 1847: Nasce a Sociedade Vegetariana

  1. Ísis de Lima
    20 de outubro de 2016

    que legal ❤

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  2. Danielle Santos
    23 de outubro de 2016

    Mas o Shelley e Mary Shelley eram vegetarianos e viveram antes.

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    • Maria Helena
      24 de outubro de 2016

      Oi Danielle, claro que a idéia de não comer carne sempre existiu – acredita-se que a própria mãe de Henrique VIII, Elizabeth de York, poderia ser vegetariana por conta de alguns registros de que, em banquetes, ela não comia carne. No entanto, a idéia do vegetarianismo como forma de controlar a raiva e a sociedade tomou forma durante o século 19 e, naquela época em que a palavra ainda não era usada, os vegetarianos eram chamados de pitagóricos, e sua idéia principal era de que a dieta sem carne estava em comunhão com a natureza, acreditando que o consumo de carne era desumano – durante o século XVIII havia mais variedade de vegetais disponíveis, quase todas as grandes cidades na Europa tinham jardins com frutas e legumas, sendo fácil manter essa dieta.

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