Jovem com fantasia de bruxa no início do século 19.
Jovem com fantasia de bruxa no início do século 19.

Para muitos de nós hoje, o Dia das Bruxas é uma tradição comercial que se tornou popular nos Estados Unidos com abóboras, esqueletos e crianças fantasiadas de bruxas e fantasmas. Mas o sobrenatural tem revelância história para as origens do Halloween: era um antigo festival celta feito no início do Ano Novo, quando a colheita já tinha sido feita e um inverno escuro e pavoroso estava para chegar. Em sua véspera, 31 de outubro, dizia-se que a cortina que dividia os vivos e os mortos permitia que as almas dos mortos voltassem novamente para esse mundo. Fogueiras e desfiles de fantasias assustadoras eram feitas para afastar os mortos ressuscitados, assim como alimentos eram deixados para fora das casas.

O cristianismo se apropriou dessa tradição, e trocou o nome para Dia de Todos os Santos, mas como em tantas vezes quando as culturas se fundem, restos de ambas as tradições permaneceram. As doações de alimentos para sem-tetos e famintos serviu como substituição para alimentação dos mortos, e emigrantes irlandeses substituíram a escultura em cabeças de nabo para esculturas em abóboras.

O Halloween fez sua estréia na sociedade americana por volta da década de 1870. Embora até então a superstição do Halloween fosse prestigiada e existia em muitos grupos étnicos, o feriado era visto na maioria das vezes como uma prática pitoresca da Escócia e da Inglaterra.

Jornais do Nordeste e do Sul dos Estados Unidos passaram a publicar periódicos resumindo a gênese do Halloween, e embora sua prática não fosse necessariamente encorajada, o Halloween recebeu um espaço suficiente para satisfazer um público ávido por novos rituais antigos. Os jornais publicavam ainda que, entre o povo americano, o festival era pouco apreciado pois nas celebrações inglesas, irlandesas, escocesas e galesas o Halloween servia para derrubar painéis, arranhar portas e destruir colheitas.

Montagens fotográficas mostrando 'fantasmas' eram abundantes. Essa é do ano de 1889.
Montagens fotográficas mostrando ‘fantasmas’ eram abundantes. Essa é do ano de 1889.

Na Inglaterra, a ascensão da Igreja Protestante significou que os rituais do Dia das Bruxas foram levemente esquecidos – o que explica o choque que Charles Dickens teve quando chegou à América e testemunhou as festividades de Halloween por lá. Mas o que realmente despertou seu interesse foi a fascinação mórbida que os americanos tinham por fantasmas: os vitorianos se deleitavam com contos aterrorizantes. Mais do que isso, eles abraçaram a cultura da morte: muitos visitavam médiuns espíritas, ou contratavam fotógrafos especializados em fazer montagens com espíritos.  Certamente não foi por acaso que depois de voltar para a Inglaterra ele escreveu Um conto de Natal, onde espíritos são abundantes.

No entanto, ao longo dos próximos 30 anos o Halloween ficou mais popular: embora a Igreja Católica celebrasse o Dia de Todos os Santos, ele simplesmente não recebia tanto reconhecimento na imprensa. De fato, em alguns locais as duas festividades começaram a se confundir. Revistas infantis começaram a imprimir imagens bonitas de bruxas e fadas, e revistas de mulheres começaram se preocupar em como dar uma festa de Halloween – idéias de decoração, que alimentos servir, e tudo o mais. A norma era: “festas tranquilas em casa em reconhecimento dos estranhos costumes dos tempos passados“.

Embora a fantasia de Halloween ainda fosse uma novidade em festas adultas até o início de 1900, elas ganharam popularidade nas primeiras décadas do século 20. Desfiles e espetáculos de Halloween começaram a ser incluídos nas festas. Na virada do século, as festas de Halloween já haviam se tornado uma festa favorita das crianças – os pais eram encorajados pelos jornais e líderes comunitários a levar coisas assustadoras e grotescas nas festas, e por conta desses esforços, o Dia das Bruxas acabou perdendo a maior parte de suas conotações religiosas supersticiosas até o início do século XX.

A grande maioria das fotografias de vitorianos fantasiados que temos hoje são ligadas não ao Halloween, mas festas à fantasia que eram abundantes na época. No entanto, elas ainda servem de inspiração para muitas recriações históricas. Atualmente, o mais assustador disso tudo é ver fotografias de crianças fantasiadas do período vitoriano:

Grupo de mulheres posam como bruxas em 1890.

halloween vitoriano (1)
Crianças fantasiadas.

Mulher fantasiada segurando um urso e um boneco.

halloween vitoriano (4)
Crianças fantasiadas.

halloween vitoriano (6)
Mulher fantasiada de bruxa.

halloween vitoriano (2)
Crianças fantasiadas.

Grupo de mulheres fantasiadas de bruxas.
Grupo de mulheres fantasiadas de bruxas.
halloween vitoriano (3)

Mulher com fantasia de morcego em 1880.
Mulher com fantasia de morcego em 1880.
 

Crianças fantasiadas.
Crianças fantasiadas.
 

Família posa para uma foto de Halloween.
Família posa para uma foto de Halloween.
 

Possivelmente pai e filho posam como 'esqueletos'.
Possivelmente pai e filho posam como ‘esqueletos’.
Traduzido e adaptado dos artigos:
The Traditions of Halloween“, de Essie Fox;
Halloween Greetings“;
Halloween in Victorian America“, de Lesley Bannatyne
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