“My Cousin Rachel” (2017): breve crítica e análise do filme

Escrito por Daphne du Maurier (1907-89) na década de 1950, My Cousin Rachel – traduzido no Brasil e lançado na década de 1980 como “Minha prima Raquel” se tornou filme pela primeira vez em 1952, dirigido por Henry Koster. A autora, viva na época, detestou a adaptação, e só podemos imaginar o que ela pensaria desse filme, lançado em 2017, 90 anos após o seu nascimento e digirido por Roger Michell. Rachel Weisz foi escolhida para viver a enigmática Rachel, e Sam Caflin como o seu primo. Atenção! Essa publicação pode conter revelações sobre o enredo. Não recomendo a leitura se não tiver lido o livro ou assistido o filme. Continuar lendo

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A moda feminina por década: 1860 a 1870 (vestidos, sapatos e chapéus)

Os vestidos

Em 1860, quatro fatores significativos afetariam a moda do fuuro: a máquina de costura havia sido inventada, as roupas se tornariam parte de uma cultura de alta costura, os corantes sintéticos disponibilizaram cores intensas, e a silhueta da saia bem arredondada de 1850 começou a mudar de forma.

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Blanche Monnier – a socialite francesa que foi trancada no sótão por 25 anos

Em maio de 1901, o procurador-geral de Paris recebeu uma carta anônima descrevendo acontecimentos horríveis de uma casa em Poitiers, na França. De acordo com essa carta, uma mulher tinha sido presa em condições horríveis em uma casa por 25 anos. A carta dizia:

Senhor Procurador Geral: Tenho a honra de informá-lo de uma ocorrência excepcionalmente séria. Eu falo de uma solteirona que está trancada na casa de Madame Monnier, meio morrendo de fome e que vive em uma lixeira putrefata nos últimos vinte e cinco anos – em poucas palavras, em sua própria sujeira.

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Passo a passo de um colar/gargantilha de renda vitoriana

A gargantilha, chamada de choker necklace no original inglês, entrou na moda durante a Revolução Francesa, quando as mulheres passaram a usar fitas vermelhas em seus pescoços para homenagear aqueles que morreram nas guilhotinas. Em 1860, a gargantilha ficou famosa por conta da pintura “Olympia” de Manet, que mostrava uma prostituta usando apenas uma fita negra em torno do pescoço. Nessa época, usar gargantilhas poderia significar que uma mulher era prostituta ou bailarina, como podemos ver nas pinturas de Degas nas décadas de 1870 e 1880. Na década de 1880, a Princesa de Gales, Alexandra, usava gargantilhas sempre, fossem de renda, veludo ou pérolas (acredita-se que era para cobrir uma cicatriz que tinha em seu pescoço). De qualquer forma, nesse momento as gargantilhas se tornaram moda reais, e hoje são muito utilizadas em filmes, séries e outras adaptações vitorianas e eduardianas, além de fantasias steampunk. Continuar lendo

Quais eram os tipos de fotografias do período vitoriano?

Números tipos de fotografias e máquinas fotográficas apareceram e desapareceram ao longo do século XIX. A notável habilidade da fotografia em registrar uma quantidade aparentemente inesgotável de detalhes maravilhou as pessoas. Ainda sim, desde os seus primórdios, a fotografia foi comparada com a pintura e o desenho, em grande parte porque não existiam outros padrões de criação de imagem. Muitos ficaram desapontados com a incapacidade da fotografia de registrar cores, e pela dureza da escala em cinza. Continuar lendo

Como era a vida das mães solteiras na Era Vitoriana?

Crianças que não tem um dos pais ou ambos eram um tema frequente nas novelas de Charles Dickens, o que não teria surpreendido os leitores vitorianos, uma vez que a alta mortalidade significava que se tornar um órfão não era um infortúnio estranho. Em Oliver Twist, Dickens mostra como uma criança sozinha em um mundo difícil revela os dramas e perigos da situação dos órfãos. Continuar lendo

20 dicas de etiqueta para um jovem vitoriano solteiro em um baile

Nem todo homem que foi em um baile do século XIX tinha uma dama em seu encalço. Alguns eram jovens, cavalheiros, solteiros, em que o baile seria o lugar perfeito para praticar suas habilidades de dança, conversação e para conhecer jovens elegíveis. Era também um lugar que os obrigava a obedecer regras rígidas de etiqueta, e que são muito numerosas: aqui, separamos 20 regras que abordam o básico da etiqueta em um salão de baila para cavalheiros solteiros. Continuar lendo

Corpo do ‘primeiro serial killer’ norte-americano, H.H. Holmes, será exumado

Herman Webster Mudgett (1861 – 1896) é considerado o primeiro assassino em série norte-americano. Ele confessou ter assassinato 27 pessoas – embora apenas 9 mortes puderam ser confirmadas, e várias pessoas que eles disse ter assassinado ainda estavam vivas. Muitas das vítimas foram mortas em um prédio que ele possuía. Além de ser assassino em série, também era conicista (termo criado no século XIX para definir uma pessoa que ganha a sua confiança, e depois a trai) e bigamista. Continuar lendo

Caçadoras de maridos: as herdeiras norte-americanas que empobreceram o sangue azul britânico e salvaram a aristocracia

No século 19, a jovem jornalista Elizabeth Banks adorava escândalos e se especializou em descobrir histórias: ela trabalhou como florista, camareira e lavadeira para investigar e expor histórias. Ela um dia ouviu que havia um comércio transatlântico de noivas: jovens norte-americanas, ricas, estavam comprando sua passagem para a sociedade britânica ao se casarem com aristocratas empobrecidos. Continuar lendo

Conheça a verdadeira história de amizade entre a Rainha Vitória e Abdul Karim

Com 83 anos, Judi Dench reinará novamente como Rainha Vitória, exatamente duas décadas depois de ter retratado a monarca em Sra. Brown – uma atuação que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz e prêmios do BAFTA e Globo de Ouro. O filme, que estreiará em setembro de 2017, conta a história de amizade entre a rainha viúva, então com 81 anos, e Abdul Karim, um jovem indiano de 24 anos que trabalhava como funcionário em uma prisão em Agra, na sombra do Taj Mahal. Continuar lendo

A Caixa de Wardian e a História dos terrários vitorianos

Raríssimo terrário inglês, 1860-1870.

Raríssimo terrário inglês, 1860-1870.

Popularmente, os terrários surgiram em um período que mercadorestransportavam espécimes de plantas por milhares de quilômetros. Para isso, eles criavam um mini-ambiente auto-sustentável em que a umidade criada pelas plantas coletadas escorreria pelo vidro e abastecería-las. Chamados originalmente de “Caixa de Wardian”, ou Wardian Case, foram criadas originalmente pelo médico apaixonado por botânica Nathaniel Ward, que em 1820 possuía uma coleção de 25 mil espécimes em seu herbário. Na década de 1840, inconformado de que algumas plantas não se adaptavam ao ambiente, ele decidiu tentar cultivar algumas plantas dentro de uma caixa criada para a observação de insetos, pensando que assim as plantas seriam isoladas do ambiente externo e ainda poderiam ter luz, por conta do vidro transparente. Continuar lendo

Enfermeiras no período vitoriano

A medicina do século XIX era uma combinação assustadora de medicamentos botânicos (alguns preparados com mercúrio, arsênico, ferro e fósforo), de ‘conhecimento popular’ (como a sugestão de laxantes e sangrias), assim como um conhecimento básico da anatomia humana – a dissecação ainda era proibida em vários lugares do mundo. Com a rápida urbanização das cidades, as taxas de mortalidade se elevaram mais na cidade do que no campo: tifo, tuberculose, varíola e cólera eram comuns e assustadoras, combinadas com um saneamento pobre. Apenas em 1875 seria feita a Lei de Saúde Pública na Inglaterra, abrangendo a habitação, esgoto, drenagem, abastecimento de água e doenças contagiosas, proporcionando à Grã-Bretanha o sistema de saúde pública mais extenso do mundo. O progresso tecnológico foi acompanhado por descobertas científicas, tais como o estetoscópio, em 1817, e a anestesia, em 1840. Continuar lendo

Novelas brasileiras que se passavam no século 19 e seus figurinos [2ª Parte]

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Esse artigo abordará nove novelas cujas tramas se passaram no final do século XIX. Sabe-se que muito do charme de uma novela com enredo histórico se deve ao fascínio que as roupas de outras épocas exerce sobre o público, principalmente os vestidos femininos. Por isso, serão abordados as questões do figurino com especial enfoque nas mulheres das seguintes novelas: “O Tempo e o Vento”, “Pacto de Sangue”, “As Pupilas do Senhor Reitor”, “A Escrava Isaura”, “O Primo Basílio”, “Sinhazinha Flô”, “Sinhá Moça”, “Memórias de Amor”, “Os Maias” e “O Homem Proibido”. Continuar lendo