Era Vitoriana

Primeiro site brasileiro dedicado ao período Vitoriano, datado de 1837 a 1901.

A arte perdida das jóias vitorianas enfeitadas com cabelo humano

Jóia com cabelo humano, pertencia ao Príncipe de Gales.

As jóias enfeitadas com cabelo é uma das formas de artes mais incompreendidas do período vitoriano. Primeiramente, essas jóias não devem ser confundidas com jóias de luto – durante o tempo de Shakespeare, era moda gastar uma quantia em dinheiro com os chamados ‘memento mori’, que seriam entregues em funerais. Essa jóia era um sinal de uma vida bem vivida, e muitas vezes poderiam conter a imagem de um crânio e fios de cabelo do falecido. Enquanto as jóias de luto contém um pedaço do cabelo, a maioria das chamadas “hair work” vitorianas são comemorativas e sentimentais, uma declaração da moda, ou um símbolo de amor.

Broche de ouro e esmalte, com o cabelo entrançado envolto em vidro, 1848.

Broche de ouro e esmalte, com o cabelo entrançado envolto em vidro, 1848.

Embora o uso de cabelo em jóias date muitos séculos, ele atingiu seu ápice e popularidade durante a era vitoriana, proporcionando às pessoas do século 19 uma oportunidade de combinar sua obsessão com o cabelo e a paixão com ornamentos elaborados e a sua paixão com o sentimental e o macabro. Anéis, pulseiras, colares, abotoaduras e correntes eram ornamentados com ouro, esmalte, pérolas e pedras preciosas.

Nos Estados Unidos, o trabalho em cabelo em suas inúmeras formas não só se estabeleceu como uma tradição de longa data na segunda metade do século 19, mas era usada ativamente: maridos iam trabalhar usando relógios enfeitados com o cabelo de suas esposas, anéis e broches eram usados por damas.

Acredita-se que em uma exposição em Paris de 1855 os visitantes viram um retrato em tamanho natural da Rainha Vitória feito inteiramente de cabelo humano. A Rainha também havia dado para a Imperatriz Eugênia da França um bracelete enfeitado com seu próprio cabelo – conta-se que a Imperatriz foi levada às lágrimas com o gesto. Após a morte de seu amado marido, o príncipe Albert, em 1861, Vitória usou uma mecha de seu cabelo em um broche preso sobre seu coração para o resto da vida.

Corrente de relógio feito de cabelo, com detalhes em ouro.

Corrente de relógio feito de cabelo, com detalhes em ouro.

Inicialmente criado por artesãos e comercializados em lojas especializadas e catálogos de venda por correspondência, a arte de cabelo logo se tornou um passatempo popular entre as mulheres vitorianas. Publicações continham tutoriais e passo a passo de como trabalhar o cabelo, e escolas também tinham cursos na Inglaterra e Estados Unidos para ensinar as jovens nessa nova arte.  Tem sido sugerido, meio na brincadeira, que quando as jóias de cabelo no final do século 19 caíram fora da moda, praticamente todo homem tinha pelo menos uma corrente feito de cabelo de sua noiva, esposa, mãe ou irmã. As correntes de relógio são um dos itens mais comuns encontrados hoje.

Paletas de cores de cabelos eram feitas, com o cabelo cortado e colocado em uma superfície plana, como marfim ou vidro, para a criação de projetos que muitas vezes se assemelham a penas ou flores. ‘Guirlandas’ de cabelo eram exibidas orgulhosamente em salões: algumas combinavam o cabelo de uma família em uma maneira interessante e criativa. Algumas guirlandas eram associadas com luto e poderiam contar o cabelo de um falecido – nem sempre era óbvio para o expectador se a jóia era ou não de luto.

Bracelete de luto com pérolas.

Bracelete de luto com pérolas.

Algumas dicas para identificação são: flores geralmente eram colocados em jóias de luto, assim como pérolas, que eram uma representação da lágrima (embora elas também representassem a beleza, e geralmente eram usadas em casamentos). As jóias feitas no final de 1700 e início de 1800 geralmente têm uma urna, uma palmeira ou um salgueiro como símbolo de luto.

Atualmente, existem pequenas organizações dedicadas à preservação do artesanato feito de cabelo (“Victorian Hairwork Society”), e há até mesmo um Museu (Leila’s Hair Museum) contendo duas mil peças de jóias feitas de cabelo. No museu de Anatomia Mórbia de Nova York você pode até mesmo fazer um curso de como fazer uma pequena jóia de cabelo (cada aluno leva o seu).

Veja mais algumas jóias enfeitadas com cabelo do século XIX:

Broche.

Broche.

Broche de luto. No verso é possível ler "Em memória de Caroline Henrietta". 1863.

Broche de luto. No verso é possível ler “Em memória de Caroline Henrietta”. 1863.

Guirlanda de flores feitas de cabelo.

Guirlanda de flores feitas de cabelo.

Anel com o cabelo de um falecido.

Anel com o cabelo de um falecido.

Pingente de cristal com uma mecha de cabelo trançado.

Pingente de cristal com uma mecha de cabelo trançado.

Broche.

Broche.

Pulseira feita de cabelo.

Pulseira feita de cabelo.

Pingente.

Pingente.

Bracelete feito de cabelo com cabeça de cobra feito de ouro e rubis.

Bracelete feito de cabelo com cabeça de cobra feito de ouro e rubis.

Jóia inglesa de 1754 com diamantes, ouro, esmalte e rubis.

Jóia inglesa de 1754 com diamantes, ouro, esmalte e rubis.

Brincos vitorianos feitos de cabelo.

Brincos vitorianos feitos de cabelo.

Delicadíssimo enfeite de cabelo com flores feitas de cabelo.

Delicadíssimo enfeite de cabelo com flores feitas de cabelo.

Bibliografia:
Labor of Love: The Art of Hair Work in the 19th Century“,
Victorians Made Jewelry Out of Human Hair“,
The Lost Art of Sentimental Hairwork“,
Victorian Hair Work Jewelry“, por Pamela Wiggins,
Victorian Hair Work Jewelry“.
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9 comentários em “A arte perdida das jóias vitorianas enfeitadas com cabelo humano

  1. Ronald Wiggin
    29 de novembro de 2015

    How very different. it seems like a Latin kind of cultural thing to do.

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    • Maria Helena
      29 de novembro de 2015

      Why? As far as I know, hair work in jewelry was first recorded in Sweden, Denmark and England.

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      • Ronald Wiggin
        29 de novembro de 2015

        I might have thought that b/c the information under the picture is in Spanish or Portuguese.

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  2. Cathy Cat
    29 de novembro de 2015

    AMOOOOOOOOOOOOOO ESSES ASSUNTOS!

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  3. Daniela Castro
    29 de novembro de 2015

    Estranho. Mórbido. Gosto.

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  4. Aurora Goodwin
    29 de novembro de 2015

    Esses vitorianos tinham manias estranhas! ❤

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  5. Juddie Carvalho
    30 de novembro de 2015

    Interessante. Mas mórbido… rsrs

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  6. Claudia Daniel
    30 de novembro de 2015

    Cada época com seus costumes e simbolismos rsrs Devia dar um trabalho danado trançar uma corrente daquelas.

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  7. Maria Ines
    30 de novembro de 2015

    Vale como registro de uma ėpoca e nada mais!

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