A Rainha Vitória e seu Jubileu de Ouro em 1887

Comemorado no dia 20 e 21 de Junho de 1887, o Jubileu de Ouro da Rainha Vitória comemorava seus 50 anos de reinado. Ela tinha 63 anos. Ela tinha se tornado rainha em 1837, aos 18 anos, quando a própria monarquia parecia estar chegando ao fim. Mas ela conseguiu restaurar a monarquia, fazendo-a ocupar um lugar preeminente na sociedade britânica. E por qualquer contabilidade, seu reinado foi bem sucedido. A Grã-Bretanha, na década de 1880, estava no horizonte do mundo. Continuar lendo

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“Alias Grace”: Netflix lança série sobre assassina vitoriana

No dia 30 de Julho de 1843, o fazendeiro Thomas Kinnear foi assassinado com um tiro à queima-roupa onde hoje fica Ontário, no Canadá. Sua governanta, Hannah Nancy Montgomery, tinha sido morta algumas horas antes com uma machadada na cabeça. Montgomery foi desmembrada e colocada em uma banheira no porão junto de Thomas. Os corpos foram descobertos no dia seguinte, assim como os assassinos: James McDermott, de 20 anos, e Grace Marks, de 16 anos, ambos empregados de Thomas, que tentavam fugir para os Estados Unidos. Os dois foram condenados, mas apenas James foi enforcado. Grace foi presa, mas sua participação nos assassinatos era um mistério: ela havia participado dele, mas teria de fato matado-os com suas próprias mãos, ou apenas observado Thomas?

A escritora Margaret Atwood escreveu um romance sobre essa história, que virou série no Netflix ano passado, estreada em Novembro. O que torna Grace digna de nota é que ela virou o sistema contra ele próprio: era raro uma mulher ser condenada à morte, e Grace era tudo que o período vitoriano desejava – era bela, modesta, reservada, casta e virtuosa. Homens poderiam ser executados, mas condenar uma mulher era visto contra o movimento civilizatório que tomava conta do Canadá na época.

Grace passou um tempo na prisão Kingscon Penitentiary, sendo depois transferida para o manicômio Provincial Lunatic Asylum, em Toronto, onde ficaria por mais 16 anos. O psiquiatra da série, Dr. Simon Jordan, foi criado pela romancista para conhecermos melhor a história de Grace. O romance foi publicado pela Rocco no Brasil.

Tiara que Meghan Markle têm como elemento central um broche de 1893

Além do fato de que seu marido foi o primeiro desde o período vitoriano a casar usando barba na família real inglesa, Megan Markle também trouxe um elemento do período vitoriano ao casar-se usando uma tiara que têm como elemento central um broche de 1893. Continuar lendo

Princípe Harry foi o primeiro da realeza a se casar de barba desde o período vitoriano

Seria muito difícil passar essa semana do casamento real sem falar nada sobre ele, uma vez que muitas tradições surgiram no período vitoriano. E uma das primeiras coisas a serem notadas é que o Príncipe Harry foi o primeiro da família real a se casar com barba em 125 anos. Continuar lendo

Inferno em Paris: o incêndio no Bazar de la Charité em 1897

Dizem que em todo dia 4 de maio, uma missa é realizada em lembrança daqueles que morreram em um trágico incêndio em 1897. Abaixo da cúpula da Capela Notre-Dame-de-Consolation de Paris existe um santuário com urnas de mármore, bustos, placas e diversas lembranças como uma boneca de pano, uma armação de metal de uma bolsa daquele terrível dia. Continuar lendo

Amizade feminina, identidade e lesbianismo no século 19

À primeira vista das identidades e da sexualidade das mulheres na Grã-Bretanha vitoriana, assume-se que a expressão da sexualidade feminina de forma pública era negada, controlada ou silenciada. No entanto, na era vitoriana, é claro que as mulheres conseguiram expressar uma certa quantidade de sexualidade através de amizades apaixonadas com outras mulheres. As amizades que as mulheres tiveram com outras mulheres tiveram um grande impacto nos pontos de vista da sociedade sobre a sexualidade e a identidade femininas, e há muita riqueza de fontes do período para apoiar essa idéia. Continuar lendo

Os vitorianos tinham dentes podres?

Existem diversos rumores e publicações de fontes pouco confiáveis de que os vitorianos gostavam de enegrecer seus dentes como um sinal de alto status – as taxas sobre o açúcar eram caras, então ter dentes podres seria um símbolo de riqueza. Mas, ao mesmo tempo, diz-se que os vitorianos não sorriam para as fotos para esconder seus dentes podres. Isso não é um tanto quanto contraditório?  A verdade é muito mais complexa, e pretendo abordá-la brevemente neste artigo. Continuar lendo

6 curtas e assustadoras histórias de terror vitorianas

a mulher de preto

Histórias de fantasmas do século XIX têm uma atração especial: elas não precisam de artifício para criar lugares velhos, onde coisas ruins eram mantidas ao invés de resolvidas. Você é inserido em um mundo sem eletricidade e não pode chamar a polícia ou ligar para alguém caso algo aconteça… Leia abaixo seis populares histórias de terror do período vitoriano, que embora para nós não pareça nem um pouco assustadora por conta dos filmes de terror e trash disponíveis hoje, na época causou muitos calafrios. Diversos deles viraram livros que são publicados até hoje. Continuar lendo

“Disappointment Room” – o que se sabe sobre os quartos das ‘decepções’

Dirigido por DJ Caruso, o filme “The Disappointments Room”, ou “O Quarto das Decepções” é um filme norte-americano que conta a história do casal Dana e David, e seu filho Lucas, que vão morar em uma casa vitoriana rural na Carolina do Norte. na casa, Dana encontra uma área que não estava nas plantas – ela descobre ser um ‘quarto de decepções’ – um lugar onde o dono original da casa, Ernest Blacker, trancava sua filha Laura. Dana fica sabendo que esses quartos eram projetados para que as famílias ricas trancassem seus filhos que nascessem deformados ou deficientes. No entanto, o que há para se saber sobre os verdadeiros quartos das ‘decepções’, visto que o filme é baseado em fatos reais? Continuar lendo

Imortalização ou erotização do corpo infantil? Sobre o costume vitoriano de retratar crianças nuas

A moralidade vitoriana era uma faca de dois gumes. Hoje, o termo remete a contenção sexual, baixa tolerância, um estrito código de conduta e até racismo. Nesse contexto, abordarei brevemente um caso que ilustra perfeitamente esse estranho conjunto de costumes que percebemos como parte do período vitoriano – uma época em que era, aparentemente, perfeitamente normal deixar que seus filhos ou filhas fossem pintados e fotografados nus. Continuar lendo

Zahra Khanom Tadj es-Saltaneh, uma memorialista da Dinastia Qajar

Poucos dias atrás, me enviaram uma publicação de uma suposta princesa iraniana chamada Qajair, que teve 145 pretendentes da alta nobreza e 13 deles tiraram a vida à sua rejeição – ela era considerada símbolo de beleza, apesar do padrão de beleza da maioria daqueles que comentaram na publicação claramente não concordavam com isso. A página do Facebook, que me pareceu mal pesquisada logo no início, me deixou um pouco curiosa e decidi pesquisar a fundo sobre o tema. Continuar lendo

A triste história de Lady Susan Vane-Tempest, amante Albert, o Príncipe de Gales

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Lady Susan Charlotte Catherine Vane-Tempest em 1867.

Nascida em 7 de Abril de 1839 com o nome de Lady Susan Charlotte Catherine Pelham-Clinton, era a única filha mulher do político e 5º Duque de NewCastle Hery Pelham-Clinton, e Lady Susan Hamilton. Sua infância foi marcada pelo divórcio de seus pais em 1850, após um escândalo quando sua mãe fugiu com seu amanete Horatio Walpole, com quem teve um filho ilegítimo. Cinco anos depois, sua mãe se casaria com um belga. Continuar lendo

Christian Dior e o resgate da moda vitoriana na década de 1950

Dior acreditava que as mulheres estavam cansadas dos uniformes e roupas sem adornos após a Segunda Guerra Mundial. De acordo com sua autobiografia, Dior queria que os vestidos fossem construídos e moldados nas curvas do corpo feminino. E foi assim que, em 1947, Dior trouxe uma nova coleção que resgatou os principais elementos do período vitoriano para a moda. Continuar lendo

Maria Cristina da Espanha – a rainha do ‘photoshop’ vitoriano

Que cinturas finas eram queridas pelas mulheres vitorianas era fato. O que não é um fato é que as mulheres passavam por intervenções cirúrgicas, como arrancar costelas, para ter a tão desejada cintura fina não existe nenhuma evidência que essa prática existia no século XIX, principalmente nessa época em que até 80% das pessoas morriam durante ou após cirurgias. Seria impossível realizar uma operação dessas sem alto risco de morte – dessa forma, as mulheres que desejavam ter cinturas finas passavam anos e meses diminuindo o tamanho de seus corpetes, até alcançar o efeito desejado. No entanto, com a invenção da fotografia e sua crescente popularidade, nem sempre era necessário passar por isso – mitas vezes, era só editar as fotos. Continuar lendo